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  04/11/2026


ADUA soma forças em ato pela democracia, soberania nacional e defesa dos povos originários



 

“A nossa luta é milenar, antes da coroa existia o cocar” foi o recado que ecoou no centro de Manaus no domingo, 1º de novembro de 2026, durante o Ato Pela Democracia, Pela Soberania Nacional e Pela Defesa dos Povos Originários.

 

A ADUA esteve presente na mobilização, somando forças com movimentos sociais, ambientais, sindicais e estudantis e entidades sindicais, denunciando violações de direitos territoriais, perseguições políticas e cobrando compromisso social com a pauta indígena.

 

 

O ato concentrou-se na Praça da Matriz, onde ocorreram as falas das representações das organizações presentes, e seguiu em caminhada pelas avenidas Floriano Peixoto, 7 de Setembro e Eduardo Ribeiro.

 

A presença da ADUA reforçou o compromisso com a visibilidade da pauta indígena e com a defesa intransigente de seus direitos.

 

O 2º vice-presidente da ADUA, professor José Alcimar de Oliveira, disse: “Nós não podemos abandonar as ruas. Não podemos pensar que vencemos uma guerra. Nós vencemos uma batalha, porque a burguesia deste país vai continuar em guerra, e a burguesia deste país é antipovo, lesa-pátria e entreguista, tanto é que o candidato que perdeu fugiu para os EUA, que ele considera a pátria dele. Mas nós estamos aqui na nossa pátria. Manaus é a capital mais indígena do Brasil, composta por diversas etnias, mas onde vive essa população? Está nas periferias, relegada a uma situação de precarização social, porque, seja o governador do estado ou o prefeito, não levam em conta essa situação. Só que Manaus tem uma cara indígena: no sangue das suas populações, nos braços e nos corações está a presença indígena, presente na nossa luta”. Ele conclamou: “Precisamos estar em permanente levante social, levante da juventude e levante indígena!”.

 

 

 

“Não existe democracia se não houver participação dos povos indígenas e o entendimento dessa cultura. E não há de haver democracia se o nosso povo continuar sendo ameaçado. A gente tem que lutar todo dia para ter o direito de existir. Nossos antepassados já lutaram muito e é muito importante que cada um aqui carregue essa semente no peito”, disse o estudante indígena e tesoureiro do Movimento dos Estudantes Indígenas do Amazonas (Meiam), Hukat’i Sateré-Mawé.

 

O ato denunciou a perseguição política contra trabalhadores e trabalhadoras demitidos(as) após declararem apoio à reeleição do presidente Lula, além de repudiar as ameaças e violências sofridas pelos povos indígenas que apoiaram o projeto democrático durante as eleições presidenciais em 2026.

 

A professora Danielle Munduruku falou sobre a importância da organização do movimento indígena, citando os grupos presentes, como o MEIAM e o Fórum de Educação Escolar e Saúde Indígena do Amazonas (FOREEIA). “Existe uma bandeira da qual nós não abrimos mão, e uma delas é a demarcação de territórios. E a gente está sobrevivendo há mais de 500 anos. Depois da Constituição brasileira, nós existimos para este Estado há apenas 38 anos”. A docente destacou que “não há liberdade nem vitória construídas sobre o sangue alheio”, convocando a população à continuidade das lutas nas ruas, e finalizou sua fala com a palavra de ordem: “Diga ao povo que avance. Avançaremos!”.

 

 

A professora da UFAM Elciclei Faria, membro da Frente Amazônica de Mobilização em Defesa dos Direitos Indígenas (FAMDDI), enfatizou que a sociedade deve ter o compromisso social com a defesa dos povos indígenas. “Os povos originários não têm sossego, não conseguem viver e nem dormir. A luta é manter os seus direitos e a vida. Esse momento das eleições, com a tentativa de ascensão da extrema-direita, foi outro momento em que se intensificaram os ataques. Vimos lideranças sendo atacadas e mortas, e territórios sendo invadidos. A sociedade precisa se comprometer com a defesa dos direitos dos povos originários. A FAMDDI, a ADUA e nós, professores que trabalhamos diretamente com a formação de professores indígenas, precisamos ter o compromisso de cada vez mais dar visibilidade a essa pauta, denunciar essas agressões e violências e buscar defender os direitos dos povos indígenas, para que possamos, juntos, assegurar a vida, o território e os direitos dos povos pelo bem viver”.

 

Assista aqui ao vídeo. 

 

 

 

Fotos: Sue Anne Cursino/ Ascom ADUA 

 

 



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